Review do episódio #8.10 de Dexter

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E o final de «Dexter» se aproxima cada vez mais com a certeza de que o personagem título não é mais o que conhecemos do romance de Jeff Lindsay, tão bem caracterizado e adaptado nas três primeiras temporadas por Michael C. Hall.

Embora a essência de Dexter Morgan ainda esteja lá, e a presença constante de Harry (James Remar) nos faça sempre lembrar isso, é impossível enxergar nele o que tanto passamos a adorar e a odiar nesses oito anos de uma série que mesmo a dois episódios da sua grande final, continua a nos pregar peças.

Depois da chocante reviravolta no episódio anterior, com a descoberta de Evelyn (Charlotte Rampling) de que seu filho supostamente morto num incêndio agora responde com a identidade de Oliver Saxon (Darri Ingolfsson), assassino de Cassie (Bethany Joy Lenz) e de Zach (Sam Underwood), além do «cirurgião cerebral» que vinha perseguindo a neuropsicóloga no começo da temporada, Dexter decidiu acertar as contas com o psicopata por sua própria conta enquanto planeja sua saída do país com Hannah (Yvonne Strahovski) e Harrison (Jadon Wells).

E «Goodbye, Miami» começa exatamente de onde parou o episódio anterior, com Evelyn e o filho tomando café, ao que ele se mostra furioso e ressentido com ela por ter ajudado Dexter a ter uma vida com a qual ele pode fazer o que faz, enquanto ela o deixou apodrecer num hospital psiquiátrico. Ela insiste que não tinha conhecimento e recursos na época e que ele ainda tem a chance de ser ajudado, e que não irá mais abandoná-lo, mas ele encerra a discussão informando que não pode confiar nela.

Na casa de Deb (Jennifer Carpenter), Dexter e Hannah falam da viagem, ao que sua irmã chega. Ele a chama para conversar, e revela que vai deixar o país com Hannah e o filho, e Deb não se mostra nada contente com a ideia.

Enquanto isso, Jamie (Aimee Garcia) revela a Quinn (Desmond Harrington) que descartou uma possibilidade de trabalho em Atlanta para ficar em Miami, ao que ele considera a hipótese de que não há mais futuro entre os dois na medida em que ainda tem sentimentos por Deb.

Matthews (Geoff Pierson) marca uma reunião com Evelyn, e informa que dada sua proximidade com a família de Zach Hamilton, está pessoalmente resolvendo o caso de seu desaparecimento, e pede informações sobre o tratamento que ele fazia com ela, mas a neuropsicóloga se esquiva. Após, ela encontra com Dexter, e relata o ocorrido, ao que ele considera que não pode deixar Miami sem antes pegar Saxon.

Saxon leva Evelyn ao lugar onde matava suas vítimas, e revela que ele se parece exatamente com a sala onde era levado no manicômio onde ela o internou quando se recusava a tomar seus medicamentos. Ele implora que ela o ajude tal como ajudou Dexter, e comovida com a ideia de ter o filho de volta, ela promete fazê-lo.

Da casa de Vogel, Dexter acessa o computador de Saxon, e descobre os últimos vídeos de suas mortes, e encontra a gravação do assassinato de Zach. Mais tarde, quando Vogel o visita e informa que tem esperanças de ajudar seu filho, Dexter lhe mostra a gravação, e ela decide se aliar a ele para matá-lo, mas com a promessa de que será rápido e sem dor.

Ao descobrir através de Batista (David Zayas) que Dexter está deixando a cidade, Cooper (Kenny Johnson), o agente contatado por Jacob (Sean Patrick Flanery) para localizar Hannah, fica desconfiado e vai visitar Deb, que desconversa a sugestão de que o irmão estaria fugindo.

Mais tarde, Deb vai até o escritório de Jacob, e informa que está definitivamente se desligando dos negócios com ele, para então se encontrar com Batista na delegacia, onde oficializa seu retorno para uma ou duas semanas. Ao falar com Quinn, ela admite que ainda tem sentimentos por ele, e os dois se beijam.

Na casa de Deb, Harrison sofre um pequeno acidente, o que faz com que Hannah o leve ao pronto socorro, onde é identificada por uma enfermeira, e Cooper descobre que a loira está com Dexter.

Na casa de Vogel, a neuropsicóloga prepara um último encontro com o filho, e não consegue esconder seu nervosismo. Dexter descobre que ela não o levou para o lugar combinado, e vai até eles. Saxon descobre que ela está escondendo alguma coisa, e quando Dexter chega é surpreendido com Saxon, que aparece na janela com Vogel para dizer que ela mais uma vez escolheu o filho errado, ao que então corta sua garganta.

Desesperado, Dexter arromba a casa para descobrir que Saxon não está mais lá, e na tentativa de socorrer a neuropsicóloga, ela morre em seus braços.

Com a morte de Evelyn, temos agora a certeza de que ela não representa mais o perigo anunciado nos primeiros episódios, e se um dia Deb, a julgar pela forma como começou a temporada, totalmente transtornada e fora no normal para de súbito se tornar a devota irmã de sempre, sabemos que ela também não será um empecilho na vida de Dexter até o final da temporada. Nem se cogite que Batista, apesar de ter assumido o lugar de LaGuerta (Lauren Vélez) e jamais ter se dado ao trabalho de investigar a fundo o caso no qual ela estava envolvida e que culminou em sua morte, vai chegar tão longe. E se no quesito serial killers Zach saiu de cena antes mesmo que pudesse representar algum problema, e Hannah chegou inocente como jamais o foi, não é Saxon o grande vilão que vai derrubar o personagem título, que já enfrentou maníacos muito piores.

A dois episódios do final, fica cada vez mais evidente quem é o verdadeiro grande vilão agora: Dexter. James Manos Jr. bem que tentou com suas voltas e reviravoltas enganar o telespectador, mas a verdade é que Dexter é o seu próprio vilão na oitava e última temporada.

Ora, é fácil notar a anormalidade no olhar de Dexter quando aspira, convencendo-se a si mesmo, e a despeito de sua consciência projetada na figura de Harry sempre lhe contradizer, que tão logo resolva o problema do «cirurgião cerebral» irá embora com Hannah e Harrison para o quê? Uma vida normal? O que é normal na concepção de Dexter? Nem mesmo ele sabe, e é por isso que ele jamais vai se livrar de sua natureza. E um final feliz para ele é inaceitável, pois a cada vez que ele tenta, movido por uma paixão que nem mesmo ele sabe se é fruto dos seus sentimentos por Hannah, pois ele é um psicopata, e psicopatas não tem sentimentos, ou uma busca desenfreada por algo maior que sua rotina lhe permite, um deslize acontece. E são esses mesmos deslizes que o entregarão, e que vão acabar com ele no final, a menos que ele confronte esse perigoso vilão que o está consumindo de dentro para fora, e continue a ser o que sempre foi: a ferramenta infalível para seu dark passenger.

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