Filmes do mês de agosto

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My week with Marilyn.

Inspirado no romance autobiográfico de Colin Clark, «My week with Marilyn» conta a história sobre os dias em que o jovem, então assistente de direção de Laurence Olivier, trabalhou e se relacionou com Marilyn Monroe quando a atriz esteve no Reino Unido para as filmagens de «The Prince and the Showgirl».

O filme é muito bem feito, e a adaptação da época e das cenas que fazem parte do filme rodado por Olivier, excelentemente interpretado por Kenneth Branagh, são bastante fiéis. Michelle Williams está fantástica como Marilyn Monroe. Ela está longe de ser a diva propriamente dita quando a vemos em cena, afinal, é impossível encará-la e não se esforçar para tentar imaginar a própria Marilyn em determinada cena, mas a atriz de Dawson’s Creek se empenha e é possível enxergar alguns maneirismos da famosa diva dos anos 50-60 na sua interpretação.

Eddie Redmayne, como Colin Clark não deixa por menos, e sua interação com a Marilyn de Williams é bastante convincente, o que já não se pode dizer o mesmo com relação a Lucy (Emma Watson), o que provavelmente reflete a verdadeira paixão do rapaz pelo mito.

Talvez a única coisa que tenha me deixado desconfortável em relação ao filme é a caracterização de Vivien Leight por Julia Ormond. Sabemos que Vivien era belíssima mesmo nos seus 44 anos de idade (que é a do longa), quando já apresentava um quadro avançado de tuberculose, e Ormond não se encaixa como sua intérprete. Ela até se esforça com alguns maneirismos, levantando uma sobrancelha e carregando o acento, mas definitivamente não é a melhor escolha para viver a atriz que imortalizou a personagem Scarlett O’Hara, contrariamente a Michelle Williams como Marilyn e Kenneth Branagh como Olivier. Felizmente o tempo em cena de Ormond é bastante curto.

De qualquer modo, o filme é muito bom, e se é real ou não a parte do relacionamento entre Colin e Marilyn, o fato é que a história mostra de forma bem acentuada a fragilidade e a carência da estrela decorrentes do abandono ainda pequena, assim como a insegurança da loira, que confessadamente não se julgava uma boa atriz, e estava sempre em busca de melhorar sua qualidade de interpretação. Recomendo!

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Before Midnight

Em 1995, Jesse (Ethan Hawke) e Céline (Julie Delpy) se conheceram e se apaixonaram durante uma viagem de trem para Viena no belíssimo filme «Before Sunrise», e embora não tenham conseguido se reencontrar seis meses depois como haviam combinado ao final da película, em 2004, eles cruzaram caminhos em Paris na continuação «Before Sunset», quando então acabaram finalmente juntos.

Agora, nove anos depois, e quase duas décadas do primeiro encontro dessas duas pessoas tão interessantes e especiais, eles estão casados e tem duas filhas gêmeas no terceiro filme escrito e dirigido por Richard Linklater, intitulado «Before Midnight», e mais uma vez o telespectador tem o prazer de conferir um roteiro excepcional, e as interpretações estupendas de Hawke e Delpy.

Diferentemente dos dois primeiros filmes da trilogia, no entanto, no qual a audiência tem o casal de protagonistas passando uma jornada inteira da história falando de assuntos que vão desde religião, política e amor, agora Jesse e Céline vivem a fase mais difícil de suas vidas, aquela em que eles definem se a relação é tão firme quanto julgam.

O longa desta vez se passa na Grécia, e começa com a despedida de Jesse e do filho do primeiro casamento, Hank (Seamus Davey-Fitzpatrick), no aeroporto. Ele então menciona a Céline o quanto gostaria de estar mais próximo do filho, e a hipótese de uma mudança para os Estados Unidos dá início a uma grande discussão final, alimentada ainda por reflexões decorrentes de uma fantástica conversa à mesa com alguns amigos locais acerca de sexo e amor verdadeiro, bem como as concessões que cada um deve fazer de tempos em tempos numa relação, o que parece não ser mais aceitável para Céline.

O filme é tão bom quanto seus predecessores, e os diálogos são muito mais apurados e densos, afinal, Jesse e Céline não são mais um casal que simplesmente flerta o filme todo, mas que vive uma relação de quase 10 anos. E contrariamente aos dois longas anteriores, nos deparamos ainda com um Jesse um pouco mais cínico e arrogante e uma Céline mais difícil e intransigente, mas com o esforço de ambas as partes e um pouco de concessão da parte de cada um, não é difícil enxergar o potencial de ambos, e se deleitar com o quanto ainda podemos nos identificar com esses personagens tão apaixonantes ao longo desses quase 20 anos de história. Recomendo!

ELVIS AND ME 2

Elvis and Me

Aproveitando a semana de comemoração do Rei do Rock (12 a 16 de agosto), resolvi rever um filme que marcou minha infância: «Elvis and me». Eu tinha uns 10 anos quando da primeira vez em que assisti a essa produção para a televisão em formato de minissérie, e lembro como se fosse ontem como fiquei pasma com o relacionamento tão conturbado de Elvis e Priscilla Beaulieu Presley, marcado por brigas, discussões e chantagens. Hoje, passados mais de 25 anos, e depois de já ter lido o romance autobiográfico de Priscilla Presley, e que inspirou o filme, a impressão que fica é um pouco mais diferente.

O filme, obviamente, foca a vida de Priscilla Beaulieu (Susan Walters) quando sua família se muda para a Alemanha Ocidental. Temos um momento anterior, quando ela descobre que é fruto de um relacionamento anterior de sua mãe com outro homem, e a pessoa que acreditava ser seu pai, na verdade é seu padrasto. Com apenas 14 anos, ela ainda precisa enfrentar uma nova escola, novos colegas, e é nesse momento que sua vida se transforma. Nessa mesma época, 1959, Elvis Presley (Dale Midkiff) também estava na Alemanha, atendendo uma convocação do exército. Convidada para uma festa na casa do astro, a garota, que já não se enquadrava muito no seu meio social por conta de sua maturidade, não hesitou, e seus pais também não se esforçavam para lhe negar qualquer coisa quando de suas birras. E é a partir daí que tem início um dos romances mais famosos.

O filme avança no tempo, e mostra a conturbada relação dos dois até 1967, depois de muitos tumultos, quando finalmente se casaram, e depois segue até 1972 com o divórcio, e 1977, com a morte de Elvis. Infidelidade, ciúmes e distância faziam parte da rotina do casal, e depois de um momento de harmonia, novos casos extraconjugais tornavam a vida de Priscilla um inferno. Susan Walters é a perfeita caracterização de Priscilla, pois não apenas se parece com a ex-esposa do astro do rock, como também é a exatidão dos seus maneirismos. Do mesmo modo, Dale Midkiff, que, embora esteja longe de se parecer com o astro, confere semelhança com seus trejeitos e, provavelmente depois de algum treino, tem sua voz muito parecida com a do rei, embora apenas duble as canções tocadas na película.

Diferentemente da autobiografia, no entanto, e provavelmente por conta da dramaticidade inerente a uma adaptação, a história é mostrada de forma muito mais densa, com Elvis rude e por vezes sádico, conferindo a Priscilla sempre o lugar de vítima, quando o livro é muito mais tênue nesse aspecto, de tal modo que é recomendável a leitura do livro para se poder julgar bem a adaptação. Ainda assim, apesar do tempo, e da dificuldade de se encontrar uma versão com boa qualidade, o filme é digno e vale a pena. Recomendo!

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Elvis : The Early Years

«Elvis : The Early Years:» é o segundo filme biográfico do Rei do Rock que eu decidi assistir na semana do aniversário da sua morte, e fiquei bem satisfeita com o resultado dessa produção originalmente produzida como minissérie pela CBS, ganhadora de vários Golden Globes, inclusive de melhor ator principal, e que conta os primeiros anos da vida e carreira do astro, desde o início, em 1954, até o Comeback Special de 1968, momento esse que foi uma continuação da volta triunfal do artista depois de sete anos afastado dos palcos dedicando-se unicamente à carreira no cinema e gravações em estúdios, e que é considerado o primeiro acústico da história registrado em vídeo.

O filme começa mostrando o difícil começo para o jovem Elvis Presley (Jonathan Rhys Meyers). Filho abnegado de Gladys (Camryn Manheim) e Vernon Presley (Robert Patrick), ele é motorista de caminhão, e sonha ser astro de cinema. Um dia, ele decide gravar um disco de presente de aniversário para sua mãe, e chama a atenção da gravadora. Depois de muitos ensaios, ele finalmente consegue ganhar o interesse de Sam Phillips (Tim Guinee), dono da Sun Records, quando cria o que parece um novo estilo, e que eventualmente se torna o rockabilly. Elvis começa então a fazer sucesso, mas é quando cai nas graças do Coronel Tom Parker (Randy Quaid), empresário rígido e autoritário que o gerenciou até sua morte, que sua carreira deslancha de forma meteórica.

A produção mostra ainda o percurso do astro no cinema, seu romance enrolado com Priscilla Beaulieu (Antonia Bernath), cujo casamento só aconteceu anos mais tarde por conta da idade da moça e o precedente que arruinou a carreira de Jerry Lee Lewis e, logicamente, alguns de seus outros casos amorosos, em especial, com Ann-Margret (Rose McGowan). Aliás, muitas referências no filme são extraídas do romance autobiográfico de Priscilla Presley, e não é difícil notar a representação idêntica de algumas cenas à produção também para a televisão, «Elvis and me», de 1988.

O filme é muito bem feito, e Jonathan Rhys Meyers, embora não se pareça tanto com o astro, e convenhamos, ninguém nunca será, sua interpretação não deixa nada a desejar. Outros grandes destaques na produção são Randy Quaid, como o empresário que mantém Elvis à rédeas curtas, e Camryn Manheim, como a amorosa mãe do astro. Recomendo!

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Velozes e Furiosos 6

Digam o que quiser da franquia «Velozes e furiosos 6», mas uma coisa não dá pra negar: os filmes da cinessérie são divertidos! Lógico, não se deve esperar ver um filme cabeça ao assistir a saga de Dominic Toretto (Vin Diesel) e Brian O’Conner (Paul Walker), mas, enfim, pode ter a certeza de que ao menos vai dar boas risadas.

Dando sequência ao filme anterior, todos os personagens da franquia agora estão mundo afora aproveitando a fortuna do grande roubo no Rio, quando então são reunidos por Toretto quando este descobre que Letty (Michelle Rodriguez) não apenas está viva, como está trabalhando numa perigosa quadrilha liderada por Shaw (Luke Evans). Com a ajuda de Hobbs (Dwayne Johnson), o grupo consegue rastrear a gangue e muita coisa acontece.

Por óbvio que o filme é repleto de clichês, exageros e cenas desnecessárias, mas convenhamos, é um filme pipoca, para se assistir quando definitivamente não se está com a mínima vontade de usar a cachola para entender uma boa trama de mistério ou ação. Enfim, fica como recomendação, mas a dica é assistir os dois últimos para poder entender a trama da Letty e a relação com Hobbs.

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Os Mercenários 2

Outro filme «cabeça» que marca a relação de filme assistidos no mês de agosto é «Os Mercenários 2». Ora, se você cresceu nos idos dos anos 80, pouco importa o conteúdo, desde que tenha seus ídolos todos juntos, certo? Bom, não é pra tanto.

Sylvester Stallone até que se esforça, mas não consegue reunir na franquia todos os grandes nomes do cinema de ação das décadas de 70, 80 e 90, mas também não faz por menos. E embora o astro seja ótimo roteirista, tal como comprova nos filmes da franquia Rock e o último da cinessérie Rambo, aqui a trama deixa um pouco a desejar, o que evidencia o fato de que a intenção é mesmo a reunião dos grandes nomes dos filmes pancadaria dos últimos 40 anos.

Mas como seu predecessor, «Os Mercenários 2» é garantia de muita diversão, principalmente a julgar pelas piadinhas internas, em que os personagens fazem referências a falas e filmes dos intérpretes de seus interlocutores. Só por isso, e pelo fato de vê-los todos juntos já vale a franquia.

Na trama, a equipe liderada por Barney, personagem de Stallone, é recrutada por Church (Bruce Willis) para uma simples transação com o personagem denominado apenas como Villain (Jean-Claude Van Damme, sensacional). Mas as coisas acabam sendo levadas a sério quando um membro de sua equipe é morto (Liam Hemsworth), e pancadaria rola solta até o final, intercalando com sequências fatigantes envolvendo a única personagem feminina na trama (Nan Yu), suposto interesse amoroso para o personagem de Sly.

O filme também conta as presenças de Dolph LundgrenJason StathamJet LiArnold SchwarzeneggerRandy Couture e Chuck Norris, este, como sempre, impagável. Recomendo, afinal, não é sempre que vemos Schwarza arrancar a porta de um Smart conduzido por Bruce Willis para dizer que o carro é menor que seu sapato.

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Roche Papier Ciseaux

«Roche papier ciseaux» é uma produção quebecoise escrita e dirigida por Yan Lanouette Turgeon, que não deixa nem um pouco a desejar.

Com estilo «tarantinesco», mas um pouco lento e enrolado, o filme conta a história de três homens, os quais gradativamente vão tendo suas histórias contadas em separado para ao final convergirem num objetivo único: eliminar um perigoso membro da máfia chinesa em Montréal.

Boucane (Samian) é um jovem que acabou de sair da prisão e decide começar vida nova na metrópole. Durante sua viagem pelo norte, encontre com Normand (Roger Léger), um bandido decadente que transporta uma importante mercadoria para Montréal. Os dois seguem viagem juntos, mas curioso, Boucane acaba descobrindo o conteúdo da carga: um ameríndio que deveria ser levado para a mesa de cirurgia para transplante de coração para um importante membro da máfia chinesa. O ameríndio escapa, e Normand decide levar Boucane como substituto.

Lorenzo (Remo Girone) é um imigrante italiano que trabalha como catador de papel e faz constantes apostas de loteria com o objetivo de conseguir dinheiro para levar a esposa inválida para a Itália. Abordado pelo mafioso Muffin (Frédéric Chau) ele decide participar de uma horrível roleta da morte, e embora acabe ganhando, decide não mais participar. Quando descobre a terrível tragédia por conta de um coma de três dias, e que Muffin não o deixará sair ileso do pesadelo, ele acaba virando o jogo.

Vincent (Roy Dupuis) é um médico com a licença cassada, e que para sobreviver faz serviços sujos para a máfia chinesa. Decidido a cair fora, ele é compelido a continuar, mas circunstâncias que envolvem Boucane e Lorenzo fazem com que ele e os outros dois personagens principais da trama tenham seus destinos mudados.

O filme é muito bom, e embora lento no que se refere ao desenvolvimento tanto das três histórias quanto da trama principal, tem um resultado impressionante. Recomendo!

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Pain & Gain

«Pain & Gain» é uma comédia de humor negro, por incrível que pareça, inspirada numa história real. Dirigida por Michael Bay, o filme conta a horrível história dos crimes de sequestro, tortura, extorsão e assassinatos cometidos entre 1993 e 1995 pela gangue da Sun Gym, em Miami, porém, de uma forma inusitadamente em tom de comédia.

Mark Wahlberg é o ambicioso fisiculturista Daniel Lugo. Ele já havia sido preso anteriormente por fraude, e solto, é contratado na qualidade de preparador físico com a promessa de aumentar a clientela da Sun Gym, dirigida por John Meese (Rob Corddry). Com cronologia desordenada, o filme mostra que, na academia, ele conhece Adrian Doorbal (Anthony Mackie) e Paul Doyle (Dwayne Johnson). Decidido a ficar rico, e com os ensinamentos do guru do otimismo Johnny Wu (Ken Jeong) como mantra, ele convence Doorbal e Doyle a sequestrar com fins de extorquir dinheiro de um de seus clientes, Victor Kershaw (Tony Shalhoub), submetido a um mês de tortura.

Com a transferência de todos os bens de Kershaw a Lugo, os três criminosos decidem matá-lo, mas sem que saibam, a vítima do sequestro acaba sobrevivendo. No hospital, a história de Kershaw é absurda demais para ser investigada, e ele se esconde e procura a ajuda de um investigador aposentado, Ed DuBois (Ed Harris), que se interessa pelo caso.

Meses depois, Doyle gastou todas as suas reservas de dinheiro com a ex-stripper Sorina (Bar Paly), e decide, porém, sem êxito, roubar o dinheiro de um carro forte. O trio então resolve sequestrar o casal Frank Griga (Michael Rispoli) e Krisztina Furton (Keili Lefkovitz), milionários do ramo do sexo por telefone. Mas a tentativa de extorsão não dá resultado, e quando o plano de sequestro é colocado em prática, uma tragédia atrás da outra acontece.

O filme é concebido no formato de comédia de humor negro, o que dá o tom exato para a adaptação da horrível história da gangue da Sun Gym. Michael Bay se supera, mostrando que não é apenas o diretor da franquia «Bad Boys» e «Transformer», e o elenco também não faz por menos, com destaque para Mark Wahlberg. Recomendo, mas somente para aqueles que têm estômago!

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