Filmes do mês de julho

diner des cons

«Le dîner des cons» é uma despretensiosa comédia francesa dirigida e escrita por Francis Veber, que também é responsável pelos igualmente excelentes «O Brinquedo» e «Le Placard».

Aqui, o filme conta a história de um grupo de ricos esnobes que organiza jantares todas as quartas-feiras e nos quais cada um é responsável por trazer um «idiota» como convidado. A premissa é humilhar esses convidados para, ao final, comparar e votar qual deles é o mais idiota. Mas antes que você possa pensar o quanto uma ideia como essa pode ser cruel, tenha em mente que o filme é extraordinariamente leve e engraçado.

Pierre Brochant (Thierry Lhermite) é um editor que acredita ter tirado a sorte grande com o seu «idiota» da noite, François Pignon (Jacques Villeret), que tem por passatempo reproduzir famosos monumentos com palitos de fósforos, e dos quais fala com enorme entusiasmo. Pierre, no entanto, acaba machucando as costas pouco antes do jantar, e quando decide tirar proveito para conhecer melhor seu «idiota», e passa a ter a certeza de que Pignon será o vencedor, é abandonado pela esposa. Desamparado física e emocionalmente, ele precisa agora contar com a sincera generosidade de François. Embora a química dos dois seja infalível, no final fica claro quem é o verdadeiro idiota.

O filme é uma agradável surpresa, e além de muito engraçada, tem um roteiro bastante inteligente. O elenco também ajuda muito, e Villeret, infelizmente falecido em 2005, é um espetáculo como o bondoso e carismático «idiota».

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«Sympathy for Mr. Vengeance» é o primeiro filme da trilogia intitulada «Vingança», do diretor coreano Chan-Wook Park. Os outros dois filmes que completam a série são o aclamado «Oldboy», cuja adaptação americana por Spike Lee está prestes a estrear, e «Sympathy for Lady Vengeance».

O renomado diretor asiático foi descoberto no mercado ocidental graças à Quentin Tarantino, responsável pela distribuição no mercado americano da película «Oldboy». Curiosamente, Tarantino possui uma velha rixa com Spike Lee, agora responsável pela refilmagem do trabalho do diretor coreano tão elogiado pelo cineasta ítalo-americano. Segundo os tabloides, a briga de Lee com Tarantino vem desde «Jackie Brown», por conta do uso excessivo da palavra «nigger», e se estende ao mais recente «Django Unchained», igualmente por racismo.

Verdade seja dita: aqui ninguém quer saber da refilmagem, e sim do original, e Chan-Wook Park é inigualável naquilo que o tornou célebre, qual seja, produções despretensiosas que simples e puramente desmistificam o cinema ocidental e o padrão hollywoodiano.

Aqui, no primeiro trabalho do diretor pertinente à trilogia que o consagrou, temos a história de Ryu, que após ser enganado por uma quadrilha que rouba órgãos, precisa urgentemente de dinheiro para conseguir um transplante de rim para sua irmã doente. Com a ajuda da namorada, ele elaborada e executa um plano de sequestro da filha de um importante empresário recém-divorciado. Tudo se complica quando a irmã dele descobre o crime e um acidente após o pagamento do resgate acontece. Duas pessoas decidem sair em busca de vingança, e ninguém sairá impune.

O filme é excelente, pelo seu visual gráfico, mas principalmente pela imprevisibilidade do seu roteiro. Falar mais a respeito é revelar o que há de melhor na película. Mais do que recomendado!

Solomon-Kane

«Solomon Kane» é a adaptação do mercenário puritano do século XIX extraído dos quadrinhos criado por Robert E. Howard, responsável também pela criação do icônico personagem Conan, seu universo, bem como Red Sonja.

Excelentemente interpretado por James Purefoy, o filme acaba sendo aos olhos do espectador um misto do universo de «Indiana Jones» e do filme «Van Helsing». Talvez a comparação não seja muito feliz, mas o resultado final é bom. Muito mais sombrio, a trama é densa, e embora com efeitos lá não tão especiais, e alguns momentos um tanto quanto clichês, a película entretém na medida certa.

A história começa mostrando Solomon quando de uma de suas aventuras em busca de tesouros perdidos, o que sugere a comparação ao herói arqueólogo mencionado. Ele encara o ceifador do demônio de frente, e com a promessa de que sua alma corrompida pela maldade está condenada às trevas, sobrevive para contar a história e mudar de vida. Obviamente que não poderia ser em pior momento, pois uma terrível força do mal, representada por tal de Malachi (Jason Flemyng), está pintando o sete nas terras da rainha.

Porém, dando as costas para qualquer confronto ou ato que possa atrapalhar seu caminho para a redenção, Solomon acaba se envolvendo com uma família de viajantes, e quando atacados, eis que ele decide enfrentar esse novo e poderoso inimigo. Recomendo, mas com a ressalva: é ruim, mas é bom!

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«Trance» é uma película dirigida por Danny Boyle, diretor reconhecido por transitar de forma espetacular no universo zumbi (28 Dias Depois), de ficção científica (Sunshine), de violência extrema (The Nightwatch, Shallow Grave e Trainspotting) e de Bollywood (Slumdog Millionaire).

Estrelado por James McAvoy, Vincent Cassel e Rosario Dawson, o filme conta a história de Simon (McAvoy), um sujeito viciado em jogo que trabalha na segurança de uma grande casa de leilão, e que para sanar uma dívida de jogo vê a oportunidade da sua vida o roubo de uma das obras de arte com a ajuda de Franck (Cassel) e seu bando. No dia do roubo, porém, Simon esconde a pintura em outro lugar e, atingido na cabeça no momento do roubo, perde a lembrança de onde a guardou. É quando entra em cena uma hipnoterapeuta (Dawson) que deverá entrar nas memórias de Simon a fim de descobrir onde está a obra de arte perdida.

O filme é excelente em seus vinte primeiros minutos, perdendo um pouco a força quando o triângulo amoroso envolvendo Simon, Franck e Elizabeth ganha forma, mas que a partir do desenrolar do lado sombrio sobre as lembranças de Simon, acaba surpreendendo, tornando-se um misto de «Memento» e «Inception», gerando assim as mais incríveis especulações, como a de que Simon e Franck seriam a mesma pessoa e que o final é o começo do filme, com base ainda na versão original do filme, de John Aheame.

O elenco está imbatível, talvez exceto um pouco em relação a McAvoy, que embora já tenha se mostrado um grande ator em outras ocasiões, aqui parece desempenhar o mesmo papel de sempre. Mas Dawson e Cassel, que andam esquecidos ultimamente, estão em sua melhor forma. Recomendo!

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Escrito e dirigido por Woody Allen, «Whatever Works» conta a história do rabugento nova-iorquino Boris Yellnikoff (Larry David), professor aposentado de mecânica quântica que tenta impressionar a todos com suas ideologias sobre religião, relacionamentos e o acaso.

Durante uma crise existencial, ele tenta frustradamente cometer suicídio e acaba se separando da mulher. Ele passa então o tempo conversando com os amigos e ensinando crianças no parque a jogar xadrez. Pouco tempo depois, ele encontra a ingênua e indefesa recém-chegada do Mississipi, Melody (Evan Rachel Wood), que lhe pede comida na rua. Ele então a convida para morar em seu apartamento por tempo provisório.

A despeito da idade, uma amizade inesperada acontece entre os dois, e Boris começa a afeiçoar pela garota. Impressionado por sua ingenuidade e seu interesse por conhecer tudo a respeito do seu mundo, ele decide então se casar com ela, que já havia revelado estar apaixonada por ele. As coisas ficam complicadas quando a mãe de Melody dá as caras, e não apenas tem planos para mudar sua vida, como também de fazer a filha perceber que está se enganando em relação aos seus sentimentos por Boris. É quando aparece um jovem que se interessa por Melody, e sua mãe tenta a todo custo empurrar a filha para ele.

O filme não é lá grande, tal como a grande maioria das produções de Woody Allen. Aliás, dá até pra contar nos dedos os filmes dele que realmente valem a pena assistir, mas ao menos a película tem o seu charme, além, obviamente, de uma pequena lição no sentido de que cada um tem o seu par, e que as coisas não acontecem por acaso, mas no seu tempo certo. Recomendo, mas daquele jeito: é Woody Allen, então não espere muita coisa.

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