Filmes do mês

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Sem qualquer esperança de ver em «Stoker» um grande filme, assisti e adorei. Fiquei muito impressionada com o enredo e o estilo, de modo que resolvi fazer minha pesquisa a respeito da obra, e qual não foi minha surpresa ao descobrir que Chan-wook Park, aclamado diretor coreano conhecido pelos sensacionais «Old Boy» e «Lady Vengeance», é que dirige aqui sua primeira película anglo-americana com roteiro, pasmem, de Wentworth Miller (astro da extinta série de TV «Prision Break») e produção de Ridley Scott.

Classificado como um filme de terror com drama familiar e psicológico, a trama gira em torno da excêntrica adolescente India Stoker (Mia Wasikowska), que após a morte do pai passa a ter como hóspede em sua casa o misterioso tio Charlie (Matthew Goode), do qual jamais ouviu falar. Este, por sua vez, ao passo em que vai mostrando gradativamente quem realmente é, mostra um interesse incomum pela sobrinha, e também se envolve com a cunhada, a instável Evelyn (Nicole Kidman).

O desenrolar da história nos conduz a eventos surpreendentemente inesperados para um filme que começa de forma lenta e despretensiosa, e quando India finalmente descobre a verdade sobre seu tio, porquanto inquestionavelmente atraída por ele, vive o dilema sobre o que fazer a respeito, ao que somos apresentados a um desfecho sensacional e com uma grande reviravolta, tal como em todos os filmes do excelente Chan-wook Park.

SNITCH

«Snitch» é a estreia de Dwayne Johnson em um drama familiar inspirado numa série de documentários chamada «Frontline», sobre as mudanças na política de combate às drogas nos Estados Unidos.

O bom desempenho do elenco consegue segurar o filme. Johnson, inclusive, surpreende para um ator habituado a papéis em filmes de ação, mas a mensagem que se tenta transmitir não é muito clara, ao contrário, bastante confusa. O problema talvez seja justamente a narrativa, eis que sua premissa é um tanto quanto implausível. Afinal, o filho do personagem principal é capturado por posse de drogas, e é inafastável o fato de que ele merece condenação por tráfico dada a quantidade de narcóticos com a qual é flagrado, o que por si só o torna figura desprovida de qualquer empatia na película.

Não bastasse isso, o personagem de Dwayne consegue negociar com a ambiciosa promotora interpretada por Susan Sarandon um acordo para livrar imediatamente o filho da prisão com a ajuda do policial disfarçado (Barry Pepper), embora ele não se trate de uma vítima, a despeito do filme tratá-lo o tempo todo como tal.

Apesar da incoerência da história, e sua fraca narrativa, o filme até que é assistível, e vale a pena pelo esforço de Dwayne Johnson.

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Inspirado num romance autobiográfico, «Behind the Candelabra», dirigido por Steven Soderbergh, é uma produção da HBO para a televisão que conta os seis tempestuosos anos de relacionamento entre o pianista e «showman » Valentino Liberace e seu amante 40 anos mais jovem, Scott Thorson, interpretados respectivamente por Michael Douglas e Matt Damon.

O filme não chega a ser uma biografia completa, pois o foco da história é a vida do jovem Thorson e seu secreto caso amoroso com Liberace, com quem se envolve após um encontro intermediado por seu «amigo» Bob Black (Scott Bakula). A relação é mostrada de forma claramente simbiótica, na qual Liberace conta com a ajuda do jovem Scott na qualidade não apenas de seu assistente pessoal, como também confidente e, obviamente, amante, enquanto este se vale de ajuda financeira do artista «flamboyant». Num dado momento, Liberace decide adotar Scott e transformá-lo numa versão mais jovem dele mesmo, e as coisas ficam complicadas quando o músico começa a descartar o rapaz por outro mais jovem, o que impulsiona Scott a contratar um advogado para processar o ex-companheiro para divisão de bens pelos anos em que ficaram juntos.

O filme é muito bom, com excelente reprodução de época, e as interpretações de Michael Douglas e Matt Damon estão excepcionais. Válido ainda é mencionar a participação de Debbie Reynolds como a mãe de Liberace, bem como de Rob Lowe e Dan Aykroyd, como o cirurgião plástico e o gerente de Liberace, os quais estão irreconhecíveis debaixo de tanta maquiagem.

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Já comentei sobre «Man of Steel» no tópico específico da review do filme, mas acho que nunca é demais falar daquilo que realmente gostamos, néam? E quando se trata de Superman, quem me conhece sabe que adoro o «Azulão».

Como já disse, sou fã devota de «Superman» e «Superman II», mas essa produção dirigida por Zach Snyder e com roteiro de David S. Goyer foi a melhor coisa que já vi do Homem de Aço na telona. Os méritos não são apenas da originalidade do filme, que é nitidamente inspirado sem qualquer medo em «Superman: Birthright» com uma boa amostra de Krypton, um desenrolar excelente da história de Jor-El (Russell Crowe) com Zod (Michael Shannon) que se estende junto ao seu herdeiro, e um Superman ainda indeciso sobre seu destino na forma de um errante pelo mundo que executa salvamentos anônimos, aliado ainda a excelentes efeitos especiais, como também um elenco de primeira.

E ainda que Russell Crowe e Michael Shannon carreguem o filme nos seus primeiros minutos, é exatamente quando vemos Henry Cavill, ainda que desprovido do uniforme do Superman, que temos a certeza de que o Homem de Aço finalmente encontrou um representante à altura de Christopher Reeve no que diz respeito ao personagem.

Quanto aos comentários negativos sobre o filme, especificamente no que diz respeito a algumas alterações quando ao personagem, seja no que se refere a escolha tomada frente à morte de Jonathan Kent, ou mesmo a drástica medida nos instantes finais (algo que muitos fãs do Superman já se manifestaram no sentido de não admitir), tenho que o caminho seguido por Goyer e Nolan foi acertado. Mais do que qualquer coisa, o Homem de Aço precisava ser reformulado e adaptado a uma nova realidade, a atual, e se na película ele é mostrado por vezes como desprovido de algumas certezas ou de fé absoluta no ser humano, é isso que o torna mais próximo de um herói de verdade, ainda que se trate do maior de todos, o que, presume-se, o mais perfeito. O fato, é que os flashbacks mostrados apresentam os motivos para suas escolhas, e como «defensor da verdade, da justiça e do estilo de vida», o Superman nos dias de hoje não tem espaço, a menos que tome decisões duras.

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Já se sabia que, a despeito de sua carinha de anjo, Elijah Wood poderia ser assustadora horripilante depois de seu desempenho em um dos segmentos de «Sin City», mas agora, em «Maniac», o eterno hobbit Frodo conseguiu se superar.

O ator está na película dirigida por Frank Khalfoun, na qual ele interpreta um assassino em série com uma estranha fixação pelas madeixas de suas vítimas. O filme, não bastasse por sua controversa narrativa, já é deveras provocativo por sua estranha cinematografia, na qual o espectador «participa» da história sob o olhar do protagonista, aliado ainda às sequências de extrema violência.

Na trama, o personagem de Wood é dono de uma loja de manequins, e flashbacks de seu passado revelam em parte a origem de sua obsessão e ódio por mulheres promíscuas. Mas tudo muda quando entra em cena Anna (Nora Arnezeder), uma fotógrafa e artista incomum que se interessa por seu trabalho, e não faz ideia do perigo que corre quando os dois desenvolvem uma estranha conexão e começam a se relacionar.

O filme é estranho, violento e por vezes desagradável por conta da forma grotesca com a qual o maníaco do título executa suas vítimas para depois escalpelá-las, mas com um mínimo de discernimento, não deixa de um trabalho interessante.

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«La grande séduction» é uma produção quebecoise charmosa e pitoresca, que mostra os apuros de uma minúscula cidade litorânea com cerca de 100 habitantes quando o Prefeito renuncia ao cargo e parte em mudança para Montréal. Não bastasse isso, a cidade está à beira da falência por conta da falta de emprego e de ajuda financeira do governo. A única salvação para os moradores desse lugar isolado é a instalação de uma usina, o que somente pode vir a acontecer quando a cidade tiver um médico fixo. O grande problema, é que não existe médico algum na região que se habilite a morar lá, e é quando um cirurgião plástico de Montréal aparece «forçadamente» que a confusão começa.

O filme é uma comédia bastante agradável, e a explicação do título é que os moradores da cidade decidem se reunir para «seduzir» o médico temporário a fim de que ele decida ficar definitivamente no lugar. As situações das mais hilárias tomam forma como quando os moradores fingem ser amantes de críquete, ou quando esquecem de descongelar um peixe que fingem ter sido pescado pelo tal médico para fazer com que ele se sinta bem na cidade. É um filme divertido e inteligente que vale a pena ser conferido!

Dédé, à travers les brumes

O filme musical «Dédé, à travers lês brumes» apresenta os momentos de criação, de paixão de viver e os amores no decorrer da ascensão do grupo musical de rock quebecoise «Les Colocs».

O papel principal é interpretado por Sébastien Ricard, ator de teatro que vem também se destacando no cinema, e a trama mostra os esforços de Dédé Fortin e seus Colocs para a composição do que vem a ser tornar o seu mais célebre trabalho, o álbum «Dehors Novembre». Durante quase um ano, Dédé compõe e escreve canções que variam dos mais diversos estilos, desde blues, jazz, rock, swing e inspiração no gênero africano. Na maioria do tempo, o artista oscila entre momentos de criação e períodos de agonia profunda.

O balanço geral, é que o filme mostra, com excelente cinematografia, a vida de um artista sui generis que teve grande importância no cenário da música quebecoise, mas que lamentavelmente teve um final bastante triste.

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Quando assisti a «Jacob’s Ladder», descobri porque jamais tive coragem de ver antes: é um filme extremamente perturbador, e tanto quanto «Angel Heart» e «Lost Highway», uma película que fica impressa na mente por anos e anos. Mas diferentemente das produções de Alan Parker e David Lynch, Adrian Lyne nos confere aqui momentos de lucidez e esperança nessa produção com roteiro de Bruce Joel Rubin.

Jacob Singer (Tim Robbins) é ex-veterano de guerra que sofre de estranhas alucinações. Extremamente inteligente, e detentor de título de doutorado, após o Vietnã ele retorna com problemas de dissociação e passa a trabalhar no correio como entregador de cartas. Ele procura levar uma vida normal ao lado da namorada (Elizabeth Peña), a despeito dos traumas de guerra, da abrupta e inexplicada separação da esposa (Patricia Kalember) e da trágica morte de seu filho mais novo (Macaulay Culkin). As coisas, no entanto, ficam complicadas quando ele passa a sofrer intensamente com sonhos e ilusões perturbadoras, aliada a percepção de morte.

O filme é extremamente denso e tenso, com várias oscilações. Num dado momento, o sobrenatural dá espaço a uma intensa teoria de conspiração, para ao final sermos surpreendidos com uma grande reviravolta. É um suspense de horror excepcional, e Tim Robbins desempenha seu papel com extrema abnegação. Filme que supera seu tempo e que, espera-se, jamais seja refeito. Recomendadissimo!

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