Filmes do mês

Em relação ao último mês, maio foi devagar em se tratando de filmes, mas ao menos os gêneros foram mais diversificados…

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 « Oz The Great and Powerful » não foi exatamente o que eu esperava: foi simplesmente melhor. Sempre serei aquela fã devota do original « O Mágico de Oz », que se emociona ao escutar « Over the Rainbow » na voz de Judy Garland ou mesmo ao som da animada trilha « We’re Off To See The Wizard », mas essa produção dirigida por Sam Raimi, com roteiro de Mitchell Kapner e David Lindsay-Abaire provou estar « quase » à altura da clássica filmagem de 1939.

O charme de « Oz The Great and Powerful » reside, especificamente, no desempenho de James Franco. Mas depois de filmes como « James Dean » e « 127 Horas » alguém ainda duvida do talento do moço? O fato é que ele faz com excelência o personagem Oscar Diggs, que acaba eventualmente se tornando o mágico de Oz. E mesmo na ausência de personagens clássicos, como o Espantalho, o Homem de Lata, o Leão Covarde, ou mesmo Dorothy e seu inseparável Toto, temos toda uma trama que nos conduz para o nascedouro daquele que será o grande e poderoso de Oz. Além disso, também contamos com a presença de Glinda (Michelle Williams), dos macacos voadores, da infame bola de cristal, e de muitas outras coisas que nos remontam ao clássico de Victor Fleming, bem como, e como não poderia deixar de faltar: da Bruxa Má do Oeste.

Inspirado na série de livros de Oz, de L. Frank Braum, mas também no enredo do filme de 1939, o filme agrada, e dá margem para uma eventual continuação, na qual possivelmente teremos mais referência ainda ao fantástico mundo de Oz, se não dos protagonistas da batalha final contra a Bruxa Má do Oeste, ao menos outros, como a Bruxa Má do Norte, Mombi, e claro, os sapatos de rubi, os quais, registre-se, na versão literária são de prata.

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« Broken City » é bem interessante, e apresenta, como há muito tempo não se via, uma versão contemporânea de filme ao estilo noir, que nada mais é do que o termo cinemático para descrever suspense envolvendo crime com motivações sexuais. O diretor, Allen Hughes, embora de nome desconhecido, não é estranho do público, já tendo dirigido o segmento estrelado por Bradley Cooper e Drea De Matteo em « New York, I Love You » e também « Do Inferno », estrelado por Johnny Depp e Heather Graham.

Aqui, Russell Crowe está, como sempre, porém um pouquinho mais acima do seu peso, ótimo no papel do político envolvido em uma suposta trama arquitetada por sua esposa infiel (Catherine Zeta-Jones) e seu rival à reeleição (Barry Pepper), descoberta essa fruto de uma discreta investigação particular realizada por um policial exonerado.

Já, Mark Wahlberg, que faz o detetive particular propriamente dito e que mergulha de cabeça na trama, não traz nada de novo. O ator tem seus momentos, como em « Boogie Nights » e até mesmo « Ted », mas, convenhamos, o pobre não tem a mínima expressão facial para desenvolver bem um personagem, e Billy Taggart é o sujeito cheio de traumas e conflitos que se mete numa grande enrascada, mas que não consegue qualquer empatia por conta do desempenho do seu intérprete. Lamentável, Wahlberg. Aguardo seu retorno em « Ted 2 ».

No geral, o filme é relativamente bom, mas sem grandes surpresas, já que num determinado momento da película fica bastante evidente o seu desfecho.

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« Les Misérables » foi uma surpresa bem agradável. Relutei muito para assistir, a despeito dos prêmios e da crítica. Afinal, quem sou eu para levar em conta o que pseudointelectuais do cinema ou a política da Academia de Artes e de Ciências Cinematográficas tem a dizer?

O fato de conhecer a história original escrita por Victor Hugo (e sobre o brilhantismo da obra nem se discute), aliado a já haver ter assistido a duas outras adaptações, uma primeira (de 1998), estrelada por Liam Neeson e Geoffrey Rush, e uma segunda (de 2000), em formato de minissérie para a televisão, estrelada por Gérard Depardieu e John Malkovich, não me fez sentir vontade alguma de repetir a dose, na certeza ainda de que, tal como em seus predecessores, o final seria alterado.

Encarar Anne Hathaway (e me perdoem aqueles que gostam da atriz, mas não a suporto) era outro problema. Quando descobri então que o filme seria totalmente musical, exatamente como « Sweeney Todd », único trabalho dirigido por Burton e estrelado por Depp que eu não consegui assistir por mais de 20 minutos por conta de tamanha cantoria e um pingo de fala, « Les Misérables » foi totalmente descartado. E sim, eu não gosto nem um pouco de musicais, porém admito, e não sinto vergonha de dizer, que adoro « Grease », « The Sound of Music », « O Mágico de Oz », « Mary Poppins » e « Cantando na Chuva » (ok, talvez eu goste um pouco de musiciais).

Contudo, eu posso não levar em conta o que críticos de Hollywood tem a dizer, mas considero muito aquilo meus amigos recomendam, e aceitei o desafio: afinal, de quebra, podia ainda me contentar com a dobradinha Hugh Jackman e Russell Crowe.

Para meu deleite, o filme é visualmente magnífico, denso, e muito mais fiel que suas outras adaptações, trazendo inclusive personagens jamais antes vistos nas versões anteriores, como os Thénardier (excelentemente interpretados por Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen) e Gravoche, e evoca com muito mais aferro os conflitos políticos na França do século XIX, e que fazem parte do pano de fundo da história.

Além do mais, acabei superando minha ira por Hathaway, considerando-a agora a melhor Fantine adaptada (tendo Uma Thurman logo em seguida). Reconheço, portanto, que a atriz fez um bom trabalho, principalmente quando canta « I Dreamed a Dream », música essa que se encaixa perfeitamente na trilha sonora da vida de qualquer um de nós (só não acho ainda que ela foi merecedora de tantos elogios e prêmios, mais enfin…). Crowe e Jackman também estão soberbos como Javert e Valjean, e ao contrário de outras versões, fica aqui mais evidente que maniqueísmo é inexistente em « Les Misérables »: os personagens são o que são de acordo com suas convicções e momento.

E sim, o filme me arrancou lágrimas, justamente quando imaginei que isso jamais aconteceria em se tratando de um filme musical e no qual já sabia o final da história.

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« Warm Bodies » entrou despretensiosamente na minha lista de filmes. Confesso que fiquei bem receosa, já que todo mundo dizia por ai que não passava essa de uma versão com zumbis da torpeza feita com vampiros e lobisomens na infame cinessérie « Twilight ». Sabendo, porém, que o filme é estrelado pelo Nicholas Hoult, que para mim será sempre o fofo do Marcus de « About a Boy » (adoro!), e que a película foi rodada em Montréal (home sweet home!), resolvi embarcar naquilo que parecia uma grande furada.

Para minha surpresa, o filme não é lá tão ruim quanto parece. O começo, por si só, já é hilário, coisa já não muito rara do universo zumbi (vide « Zombiland » e « Shaun of the Dead »), quando somos apresentados a um morto-vivo bastante incomum num mundo pós-apocalíptico. Ou seja, não tem nada a ver com aquele dramalhão tosco que uma geração inteira só deixou agora de lado para dar atenção a outra bela porcaria literária que também vai ser adaptada para o cinema (refiro-me aqui a « 50 Tons de Cinza », e me desculpem aqueles que gostam da série, mas eis ai uma coisa que não faz sentido pra mim, e que vai ser objeto de uma postagem no futuro).

Voltando ao filme: a história é logicamente absurda, não faz o menor sentido, mas cumpre bem a sua função, que é divertir. Acredito, e talvez pelo fato de que Hoult é mon chouchou, que os méritos são todos dele e de sua química com Tereza Palmer, pois só o misto de horror, comédia e romance (que funciona tão bem aqui), não é suficiente para segurar uma produção como essa, tão massacrada por uma base de fãs odiosos antes mesmo de ser lançada. É a empatia do elenco, e dos próprios personagens (por que não?), que alavanca « Warm Bodies », e destaco aqui também John Malkovich e o excelente Rob Corddry.

Enfim, divertida e despretensiosa, a película merece estima, até porque o esforço da produção para o mínimo de entretenimento é bem evidente. E não posso deixar de mencionar que a escolha da cidade de Montréal e sua vizinha Laval para a ambientação da trama, ajuda bastante, principalmente quando da belíssima vista final, do topo do Mont-Royal.

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