Spartacus : dica de série

Spartacus Gallery

« Spartacus » foi uma série de televisão neozelandesa produzida pela emissora Starz (responsável pela vindoura « Da Vinci’s Demons »), criada por Stephen S. DeKnight, coproduzida por Sam Raimi, e que estreou em janeiro de 2010 e terminou em abril de 2013.

Encerrada a saga do herói dos escravos, mais do que válido é discorrer um pouco a respeito dessa produção tão controversa.

Estrelada por atores até então desconhecidos do público em geral, como os neozelandeses Andy Whitfield e Manu Bennett (que agora pode ser conferido como o intérprete de Azog na trilogia « O Hobbitt » e como o personagem Slade, em « Arrow »), e outros já mais familiarizados aos fãs dos trabalhos de Raimi, como Lucy Lawless, a protagonista do extinto seriado « Xena: Warrior Princess », a série foi um sucesso instantâneo. Com um estilo de violência gráfica que remonta a produções cinematográficas como « 300 », forte conteúdo sexual e linguagem pesada, « Spartacus » se tornou objeto de amor e ódio para muita gente.

Com uma primeira temporada espetacular composta por treze episódios, e intitulada « Spartacus: Blood and Sand », somos introduzidos ao personagem propriamente dito: um guerreiro trácio que, persuadido pelo exército romano, alista-se na campanha contra Getae (região atualmente conhecida por pertencer à Bulgária e Romania), mas acaba sendo traído com a destruição de sua vila pelos romanos. Capturado, ele é separado de sua adorada esposa, e condenado à escravidão após dar início a uma revolta. Vendido a Lentulus Batiatus (John Hannah), dono de um ludus (campo de concentração para gladiadores) em Cápua, o guerreiro até então sem nome, é treinado, torturado e condicionado, bem como submetido aos mais horrendos tipos de crueldade dentro e fora da arena, e a partir do momento em que perde todos os laços afetivos do seu passado, torna-se Spartacus, o campeão dos campeões de Cápua. Circunstâncias muito peculiares, porém, fazem com que o personagem ganhe a confiança de seus colegas de ludus, assim como uma vontade em comum pela liberdade.

A primeira temporada da série foi um grande marco para a televisão, não apenas pelo seu visual gráfico, pelas cenas fortes de violência e sexo, mas pela densidade da trama. E não foi difícil inclusive sentir repulsa às maquinações de Lucretia, Ilithya, Ashur e Batiatus nos bastidores do ludus ou junto aos políticos romanos, como se toda a sangueira na arena já não fosse suficiente.

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Infelizmente, em razão de um linfoma que vitimou o intérprete do protagonista (Andy Whitfield), renovada para uma segunda temporada, a produção da série atrasou. No aguardo da recuperação total do jovem ator após todos os procedimentos médicos de praxe para seu restabelecimento, decidiu-se pela realização de uma espécie de prequel com apenas seis episódios, « Spartacus: Gods of Arena ». A despeito da ausência do personagem título, a minissérie foi igualmente um sucesso, e contou um pouco mais da história de Cápua, do ludus e dos seus personagens antes da chegada do trácio. Aqui, somos apresentados a um novo personagem, Gannicus (Dustin Clare), que, antes de Crixus e de Spartacus, é conhecido como o grande campeão da arena de Cápua. Com a conquista de sua liberdade, é então o recém-chegado gaulês Crixus que se torna o grande novo gladiador da região. Paralelamente, as tramas de bastidores mais uma vez causam náuseas ao telespectador tanto quanto as cenas de luta, estas, com efeitos cada vez mais impressionantes.

Com um conturbado hiato entre a primeira e a segunda temporada, e o falecimento precoce de Whitfield após uma recaída, para o grande pesar do público, que já havia tanto se afeiçoado a ele e sequer imaginava outra possibilidade para assunção do seu posto, eis que a produção da série resolve dar sequência com outro ator: Liam McIntyre.

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Dez anos mais jovem que seu predecessor, o novo intérprete de Spartacus teve a difícil e quase impossível missão de dar continuidade ao trabalho, mas com uma boa aceitação do público, que se viu convencido dos bons resultados, apesar da devoção a Whitfield, McIntyre conseguiu dar conta do recado. Assim foi « Spartacus: Vengeance », com seus dez episódios: uma enorme expectativa quando ao desempenho de McIntyre, aliado ainda a um novo cenário. Isso porque, agora, os ex-escravos e ex-gladiadores são fugitivos, e depois de uma temporada inteira e um prequel passados na infame casa Batiatus, o público tem que lidar com um novo desenrolar da história. Os vistosos guerreiros continuam lutando por sua sobrevivência, mas não mais nas arenas. Novos e antigos personagens são introduzidos, e o nome Spartacus, tal como apregoado pela história, ecoa por toda a Roma, que o considera agora seu inimigo público número um. Agora Glaber, o general que separou o protagonista de sua esposa lançando-o aos campos de batalha romanos, e que depois o traiu, é Praetor, e está em seu encalço. O grupo de escravos fugitivos aumenta a medida que Spartacus ganha simpatia de seus iguais, e os nomes que ao seu lado lideraram a resistência escrava, como Crixus, Oenomaus, Gannicus e Agron, ganham igual notoriedade. Apesar do traumático desligamento de Whitfield da série, de desfechos impressionantes para personagens até então fixos, a segunda temporada encerrou esplendidamente  com a história do personagem rumo à sua resolução tal como apregoada nos livros de história.

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E eis que temos a terceira e última temporada, « Spartacus: War of the Damned ». Já mais acostumados com o novo intérprete do personagem título, inclusive gerando controvérsia entre os fãs nas redes sociais sobre a possibilidade de renovação para mais temporadas, somos introduzidos a eventos que dão sequência ao desfecho da famosa guerra de Roma aos escravos fugitivos liderados por Spartacus. Novos personagens ganham cena, como Marcus Crassus e Julius Caesar. E ainda que historicamente, saiba-se como a guerra acaba, o momento mais aguardado pelos fãs da série é descobrir qual o final que a produção tem reservado para o grande herói e líder da resistência escrava. Para registro, há duas hipóteses contadas pelos historiadores: uma delas, é de que Spartacus morreu na última batalha em Senerchia. Outra, é que ele escapou juntamente com outros escravos sobreviventes do massacre em direção às montanhas. E tão instigante quanto saber como seria esse desfecho, é notar o quão excelentes estrategistas são os representantes de cada lado da guerra. De um, temos a já notória experiência militar de Spartacus acrescido de um exército de 70,000 homens. Entre barganhas e acordos quebrados com piratas para o transporte de 2,000 de seus soldados para a Sicília, há em contrapartida o poderio romano de Crassus, com talento militar igualmente inabalável, tendo ainda a seu lado Julius Caesar. O resto, como se sabe, é história.

A série foi um grande marco para a televisão, uma vez que transpôs para a tela, com excelentes visuais gráficos, realismo impressionante, e que na contramão do excesso de violência e sexo, presenteou o público com interpretações magnânimas e diálogos extremamente inteligentes.

Previsível, o desfecho foi heróico, ainda que a contra-censo, e trará saudades aos fãs desse novo estilo de série televisiva, cuja produção, sem receio de deixar de usufruir da enorme audiência conquistada, economizou nos episódios por temporada em nome da qualidade e encerrou um trabalho com muita competência. O grande destaque, obviamente, é para a equipe de roteiristas, bem como os atores, em especial McIntyre, que precisou assumir o manto do protagonista num momento decisivo para a continuidade da série, e enfrentar a enorme leva de fãs que já haviam tanto se afeiçoado ao igualmente talentoso e competente Whitfield, que, por seu turno, ficará para sempre na lembrança por sua excelente performance homenageada de forma emocionante através do tributo após os créditos finais.

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