Filmes do mês: overdose de chick/date movies

Movie-Chick-crying-200x300

Quase quatro anos de abandono depois, mudanças e vida nova, eis que é reinaugurada a página com a lista dos filmes assistidos em abril. Note-se que foi um mês bastante agitado, e para cinéfilo algum botar defeito. Sim, porque com tempo de sobra por motivos de força maior, nada melhor do que colocar a boa e velha lista de filmes (aqueles mesmos, selecionados para assistir num futuro não tão distante) finalmente em dia !

E nada melhor do que começar por « Ordinary People », dirigido por Robert Redford. Fiquei impressionada com o fato de jamais ficar sabendo desse filme. É uma verdadeira obra-prima, um dos filmes mais sensíveis que já assisti. Mais surpresa ainda fiquei ao ver um Timothy Hutton tão jovem numa interpretação simplesmente fenomenal que, inclusive, ao lado dos prêmios de melhor direção, roteiro e melhor filme, rendeu-lhe o Oscar de melhor ator. Imagino como ele se perdeu nesses anos todos que nunca mais fez algo no mínimo decente, apenas meras participações e papéis secundários. O filme conta a história de uma família desestabilizada com a morte acidental e prematura do filho primogênito. Conrad, o filho sobrevivente ao desastre que vitimou seu irmão, sofre com a culpa, fazendo inclusive terapias. A mãe, excelentemente interpretada por Mary Tyler Moore, idolatrava o falecido, e ao invés de se aproximar mais do filho mais novo após o fatídico evento, acaba se afastando dele, ao contrário do pai (Donald Sutherland), que parece o único elo de união da família. As cenas entre Conrad e seu terapeuta são algumas das melhores do filme, e é muito bom ver um filme tão realista e de bom nível. Recomendadíssimo!

« The Way we were », de Sydney Pollack, e estrelado por Barbra Streisand e Robert Redford, por sua vez, já não é tão feliz com seus resultados. O filme é interessante sim, ao mostrar as dificuldades de um casal que procura conciliar suas diferenças políticas com o amor que sentem um pelo outro. Contudo, só amor não basta para esse jovem casal, a despeito de tudo o que passaram juntos, e embora nebuloso, para não dizer ambíguo, o final é bem previsível. Apesar das excelentes performances de Streisand e Redford, com a ressalva da estranhíssima primeira cena de sexo entre o casal, não recomendo!

Seguindo em frente com a maratona « chick/date movies », temos « P.S. I Love You », e eu sou provavelmente a única pessoa no mundo que não gostou desse filme. Recomendado por inúmeras amigas, para meu desgosto, foi uma frustração total. Não sei explicar exatamente o que mais me desagradou na película. Talvez Gerald Butler ou seu personagem? Não sei. Parecia tão cheio de si o tempo todo! Ou a personagem Holly, de Hillary Swank? Não sei se era o fato de que ela oscilava o tempo todo de um humor para outro, ou então a ideia de que ela agia como se ele ainda não estivesse morto. Talvez, no final das contas, seja isso mesmo: a história não funcionou como eu esperava. Achei mórbido demais os comandos deixados nas cartas de Gerry. Como assim Holly nunca percebeu o que ele estava fazendo, enquanto era consumido por um tumor? E mais, como assim as pessoas podem rir a agir naturalmente durante um velório ou reagir da forma como o fazem aos pedidos do de cujus? Affee… não consigo entender. Não recomendo.

« A Walk to Remember ». E foi então que eu redescobri Nicolas Sparks. Já havia assistido a « The Notebook », e sem marido por perto, batendo forte a vontade de ver só filme cor-de-rosa, apesar de finais mais sombrios do que floridos, foi então que me lembrei do sujeito que muitos consideram um dos melhores escritores de romances melosos dos últimos tempos. Registre-se, na minha época, era Danielle Steel. Enfim, foi então que resolvi assistir a alguns dos filmes inspirados em seus livros. E esse foi o primeiro da coletânea. E foi sensacional a experiência! Shane West e Mandy Moore mandam muito bem nessa versão atualizada de « Love Story ». Sim, porque não tem como comparar, néam? Só acho que a personagem de Moore está esteriotipada demais. É difícil acreditar que possam existir adolescentes como ela. Mas talvez seja essa ideia. Ela era o que o personagem de West precisava encontrar em sua vida para chegar a um meio termo. Recomendo!

« The Lucky One » foi outra boa surpresa. Na verdade, fiquei mais surpresa com Zac Efron. Como assim? O menino virou homem tão de repente, ou os anos passaram e eu não vi? Bom, a julgar pelo abandono do site, imagino que eu realmente tenha perdido muita coisa. Mas o fato é que o filme é bom para os padrões « Nicolas Sparks ». Temos aí uma história de amor que começa de forma inusitada, com uma pequena e inocente mentira, e que acaba se transformando em tragédia, mas que, diferentemente de outros trabalhos do autor, tem um final diferente. O filme tem como bônus as belíssimas paisagens da costa oeste dos Estados Unidos, cenário para todas as histórias de Sparks. Recomendo!

Na linha dos filmes inspirados nos romances de Nicolas Sparks, eis que me aparece a recomendação para assistir « Remember Me », de Allen Coulter. Meio a contragosto, na expectativa de ver um filme tosco, principalmente a julgar pela presença de Robert Pattinson que, coitado, sua única ruína foi interpretar Edward Cullen na cinessérie « Crepúsculo », acabei me deparando com um filme bem intrigante. A história já começa com uma tragédia para a personagem de Emilie de Ravin, e quando achamos que vamos encontrar uma personagem 11 anos depois cheia de traumas, eis que na contramão temos o personagem de Pattinson, filho de pais separados, e cujo irmão mais velho se suicidou. Ele tem que ligar com a separação dos pais após o incidente e a irmã mais nova, que sofre bullying na escola. Desestabilizado, ele se aproxima de Ally com interesse próprio, mas acaba se deixando contaminar pela forma como a moça leva a vida depois da morte de sua vida: como se cada dia fosse o último. Recomendo!

« Nights in Rodanthe », estrelado por Richard Gere e Diane Lane, seguindo a sequência dos filmes inspirados nos livros de Nicolas Sparks, não traz grande coisa. A novidade agora é que temos um casal de meia idade com grande bagagem de vida. Ela, após superados os traumas da separação e tentando conciliar trabalho e filhos, em especial a adolescente mal-humorada, acaba tendo o cerco fechado por marido e filha quando o primeiro decide voltar para casa após terminar com aquela que deu causa ao rompimento. Ele, um cirurgião renomado que não apenas tem a culpa pela morte de uma paciente em suas mãos por um possível erro médico, tem que lidar com o distanciamento do único filho, também médico. Os dois se encontram, descobrem um pouco de cada um, discutem, ficam amigos, e acabam se tornando amantes. Quando o romance aquiesce o coração do personagem de Gere a ponto dele enxergar seus erros e resgatar o passado, eles se separam. Mas a distância não é problema, e eles trocam muitas correspondências. Sim, porque nas histórias de Sparks não existe telefone ou email, e sim cartas. E eles decidem se reencontrar para assumir uma vida em comum. O final não foge à regra da maioria dos romances do autor, e a moral da história é que nunca é tarde para uma segunda chance. Recomendo!

« Valentine’s Day » e « New Year’s Year ». Por que falar desses dois filmes ao mesmo tempo? Simplesmente porque eu não vou conseguir falar de todas as histórias contadas em ambos. E mais: porque alguns dos atores que trabalham em um também trabalham em outro, e ambos os filmes são dirigidos por Garry Marshall, inclusive, com piadinha no final dos créditos do segundo, com propaganda gratuita do primeiro. Eu não gostava muito, mas esse gênero de filme com várias histórias paralelas, sendo que algumas acabam se cruzando, acabou me conquistando de jeito, mesmo porque tem que ter alguma genialidade no meio disso tudo para fazer conexão entre os personagens, sem ainda perder o timing e encerrar cada uma das tramas. « New Year’s Day », pessoalmente, é mais interessante, com exceção da presença de Lea Michelle, e devo ser a única pessoa que não simpatiza com ela. As tramas são mais aprofundadas. Os segmentos envolvendo os personagens de Robert DeNiro e Halle Berry foram os que me fizeram perder o chão, enquanto as histórias com Michelle Pfeiffer e Sarah Jessica Parker, na minha opinião, foram as mais divertidas. Recomendo ambos!

Redescobrindo filmes com várias histórias cruzadas, acabei assistindo também a « Paris, Je t’aime » e « New York, I Love You ». Obviamente que o segundo é a versão americana do primeiro, genial, diga-se de passagem. Os segmentos mostrados na versão francesa são, como via de regra para todo bom filme francês que se preze, muito mais existencialistas. Mas há aí no meio disso tudo, algumas tramas dirigidas por estadunidenses, como os irmãos Coen com o segmento estrelado por Steve Buscemi no metro de Paris. Hilário! Ou Wes Crave, que dirige uma história que se passa no cemitério, e que inclusive aparece num outro segmento estrelado por Elijah Wood e a vampira do Quartier de La Madeleine. Meu favorito, porém, é a última história, dirigida por Alexander Payne, e estrelado por Margo Martinda. Fenomenal! Já, « New York, I Love You » , seguindo a mesma fórmula, não me agradou muito. Tem segmentos interessantes, como os estrelados por Orlando Bloom e Anton Yelchin, e também tem joias raras reflexivas como as histórias contadas pelos casais Chris Cooper e Robin Wright e Eli Wallach e Cloris Leachman, além das grandes atuações de John Hurt e de Julie Christie. Mas a maioria, infelizmente, é dispensável. Apesar de tudo, recomendo!

« Safe Haven » é a mais recente produção inspirada em um livro de Nicolas Sparks, e foi algo bastante inusitado. Ao contrário do que os primeiros trabalhos do autor e que se tornaram filmes, a película me surpreendeu com uma história finalmente instigante. Não julgo mal os outros trabalhos do escritor, mas ele parece não se cansar da mesma fórmula, e por mais que ela ainda funcione com boas vendas nas livrarias ou nas entradas de cinema, chega um momento que cansa. Mas « Safe Haven » é a mudança do autor que eu estava esperando. Depois de um bom intervalo de filmes depois do último que vi inspirado num trabalho dele, deparei-me com uma trama de mistério, thriller e romance como jamais imaginei. Claro, num determinado momento eu já sabia que estava assistindo a uma verdadeira mistura que ia desde « Dormindo com o Inimigo » a « Sexto Sentido », mas, no final das contas, o resultado foi muito bom. O romance aconteceu no tempo certo, teve seus obstáculos e dramas, e no final tudo acabou bem. Mais uma vez Spark foge à sua própria regra. O balanço geral é que o filme faz a medida certa, e o elenco dá conta do recado. Recomendo!

Para finalizar a lista de filmes do mês, e os quais jamais imaginei assistir na vida, mesmo porque sempre reneguei minha orientação para o gênero (e provavelmente tenho muita coisa ainda que posso querer ver pela frente até descobrir que realmente não faz meu tipo), teve « Blue Valentine », estrelado por Ryan Gosling e Michelle Williams. O filme foi outra boa surpresa. O formato da película também impressiona, ao contar paralelamente o início do romance do jovem casal de protagonistas e o final da relação. Sinceramente, jamais imaginei ver um final feliz a julgar pelo modo como as coisas começaram para esses dois, mas quando o relacionamento restou assentado numa linha mais realista, admito que desejei uma resolução menos dolorosa para a única vítima inocente na história: a pequena Frankie, filha do casal. Filme excelente, e bem realista, apesar de alguns exageros. Como conclusão pessoal, indo na contramão de todos que apontam que o erro para a falha na relação seja de um de outro, arrisco a dizer que foi dos dois. Recomendo!

Deixe um Comentário