Diga NÃO ao Wonka !

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Navegando pela Internet numa tarde em que nada havia de interessante a se fazer… falemos sério, isso é piada. Eu estava mesmo procurando por uma matéria sobre o clássico de 1971, o filme musical estrelado por Gene Wilder, « Willy Wonka e a Fábrica de Chocolates ». De fato, eu estava intrigada com quais seriam as opiniões de quem assistiu a ambos os filmes, esse e o filme mais recente, dirigido por Tim Burton. Obviamente que não encontrei nada de interessante nesse sentido, pois as opiniões são deveras conflitantes. Certamente que há os que jamais viram a primeira versão da adaptação cinematográfica da obra de Roald Dahl e que só conferiram a recente versão de Burton por causa do ator Johnny Depp, assim como há os que não toleram essa refilmagem em prol do primeiro e muito mais bizarro filme, incluindo eu.

Enfim, não foi a diversidade de pontos de vista sobre ambos os filmes que me chamou a atenção, mas um artigo muitissimo interessante publicado no sítio « Overthinking It », e que faz uma breve análise, que pode ser conferida AQUI, do filme « Willy Wonka e a Fábrica de Chocolates » (1971).

Bom, já pelo título do artigo se tem uma ideia do que se trata… é uma análise do filme como mensagem antidrogas para a garotada da época, obviamente que não uma mensagem explícita.

Segundo o artigo, o filme de 1971 tem essa mensagem embutida através dos personagens, especificamente das cinco crianças que encontram os bilhetes dourados nas barras de chocolates distribuídas pela fábrica de doces Willy Wonka e que lhe dão direito a uma visita nas suas dependências, jamais antes abertas ao público.

Narrativa do filme à parte, o texto é claro e preciso ao mencionar que cada uma das cinco crianças representa uma droga, e seus efeitos a quem as consome.

Num primeiro momento, e em ordem cronológica aos eventos que sucedem com cada uma das crianças no filme, o autor do artigo cita o personagem Augustus Gloop, o alemãozinho comilão que não larga seu lanche nem quando responde às perguntas de um repórter sobre a emoção do garoto ao encontrar o bilhete dourado. De fato, o garoto Gloop pouco de interessa pelo que o cerca… ele só está interessado em comer e comer.

Augustus é desleixado consigo mesmo. Quando entra no jardim de doces, ele fica alucinado, e é no rio de chocolate ao leite que encontra seu destino. Ele cai, e é sugado por um tubo.

Segundo o texto, Gloop representa a maconha. Isso porque ele é relaxado e desatento, come sem parar e demonstra os efeitos de seu consumo, e poderia muito bem também representar a preguiça, algumas características atinentes aos usuários dessa droga.

Violet Beauregard, por seu turno, é a segunda criança a ter um destino desastroso durante a visita à fábrica de chocolates. Ela é elétrica, fala incessantemente, masca compulsivamente suas gomas e, ao contrário de Gloop, ela parece consumir mas não mostrar que consome tanto.

Segundo o texto, Violet representa as pípulas de emagrecimento (isso porque na época ainda não existiam as « anfetaminas »). Prova disso é que, mesmo advertida, ela toma uma goma de uma refeição e masca. Ela descreve com euforia a refeição que não está tendo, e quando chega na parte da sobremesa é que acontece o desastre… ela fica azul e começa a inflar após experimentar cada item da suposta refeição que deveria saciá-la.

Talvez a personagem mais insurportável, Veruca Salt é a terceira criança a encontrar seu destino na fábrica de chocolates de Willy Wonka. Ela é mimada, paranóica e incontrolável. Como se não bastasse, ela quer tudo, e faz com que as pessoas se submetam a ela.

Assim, de acordo com o texto, Veruca representa a cocaína, e sua visita à fábrica acaba justo no momento em que ela descobre que não pode ter um dos ovos de ouro, o que a faz gritar incessantemente que ela quer porque quer.

Mike Teevee é a quarta e penúltima criança. Ele vive num mundo só seu, no mundo da televisão, dos westerns, totalmente fora da realidade e daquilo que o cerca.

Segundo o autor do artigo, Mike representa os alucinógenos, em especial, o LSD, porque sua percepção acerca da realidade é completamente diferente. Ele é inconsequente, assim como as três primeiras crianças, e alheio aos perigos reais.

Por fim, a quinta e última criança… Charlie Bucket !

No decorrer do filme, ele é a criança exemplar. Mas o garoto comete uma transgressão: ele toma escondido de Wonka um refrigerante em fase experimental, mesmo advertido a não fazê-lo.

De acordo com o texto, Charlie represente o álcool. O motivo é simples:  a ideia de tomar o refrigerante nem mesmo foi dele, mas do vovô Joe, que enleva a premissa de que o alcoolismo é uma doença hereditária, ou seja, passada de geração a geração. Aliás, quando Charlie e vovô Joe começam a levitar como efeito do consumo da bebida, este diz àquele para observá-lo e fazer igual. Outro fator, ainda, é que se tratou de uma bebida.

Para finalizar, de acordo com o texto, a ideia do filme « Willy Wonka e a Fábrica de Chocolates » teria sido condenar as chamadas « drogas pesadas » da época, ou seja, a marijuana, os remédios emagrecedores, a cocaína e os alucinógenos, e que o álcool, apesar de um vício que deve ser combatido (eis que, inclusive, condenada por Wonka a transgressão de Charlie na fábrica ao final), não chega a ser algo muito grave. Afinal de contas, Charlie e vovô Joe apenas e tão somente dividiram uma bebidinha.

Interessante, não?

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