Terminator: Salvation

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Ontem finalmente assisti a « Exterminador do Futuro: A Salvação » ( « Terminator Salvation » ), e posso dizer que, como fã de longa data da saga iniciada por James Cameron em 1984, dou-me por satisfeita com a produção de McG, a primeira da franquia sem o ciborgue vindo do futuro interpretado por Arnold Schwarzenegger no papel principal.

Bom, o filme, pra quem não viu, e informo desde logo que os comentários a seguir são repletos de spoilers (ou seja, « informações estraga prazeres » e que podem conter revelações sobre a trama) é ação do começo ao fim. Portanto, se você pretende ir ao cinema para ver um filme que o faça refletir, esqueça. « Terminator Salvation » é um filme para quem é fã da franquia principal – e aqui nem me atrevo a incluir o infame « Terminator: Rise of the Machines », o que deveria ser o terceiro filme da cinessérie – e para quem verdadeiramente é fã de sequências de ação de perder o fòlego.

A trama começa nos apresentando o personagem Marcus Wright (Sam Worthington, que aparentemente não fez outro filme muito conhecido até então, mas que, segundo o IMDb, estaria na refilmagem de « Fúria de Titãs », com previsão para estréia em 2010, e no papel de Perseu). Ele é um condenado que se encontra no corredor da morte, prestes a ser executado. Ao receber o que parece a frequente visita da Dra Serena Kogan (Helena Boham Carter), o personagem decide vender seu corpo para suas pesquisas. No formulário onde ele assina o nome, vemos o nome da corporação que tanto conhecemos pelos filmes anteriores da saga, « Cyberdyne Systems ».

Relembrando a história principal, a « Cyberdyne Systems » é inicialmente uma companhia benigna manufatureira em Sunnyvale, Califórnia, cuja produção é voltada para equipamentos hightech. Com a recuperação pela companhia do braço do modelo T-800 destruído em « The Terminator » (1984), ela começa a secretamente produzir dispositivos tecnológicos baseados em engenharia reversa dos restos do exterminador, e com a recuperação da CPU do ciborgue destruído, criam um poderoso microprocessador para sistemas de armas, que futuramente se torna a temível Skynet.Tais informações, aliás, são mencionadas no segundo filme da franquia.

Pois bem. Prestes a ser executado, Marcus é assistido pela ta Dra Kogan, o fime dá um salto para o ano de 2018, não sem antes termos a sempre diligente explicação sobre os eventos que culminaram na guerra entre a resistência humana contra as máquinas, iniciada a partir do que todos conhecem como « Dia do Julgamento ». Nesse ponto, importante destacar que o tal « Dia do Julgamento » é conhecido como o momento em que a Skynet tomou consciência e, em pânico os humanos tentaram desligar o sistema, e aquela lançou um ataque nuclear contra a Rússia, que revidou, acarretando num longo período de guerra em escala global que jogou humanos contra as máquinas, as quais desenvolveram capacidades cada vez maiores. Em « Terminator 2: Judgement Day », o « Dia do Julgamento » foi apenas adiado, conforme vemos na continuação, « Terminator: Rise of the Machines ».

Em « Terminator Salvation », no ano de 2018, vemos um campo de batalha que muito nos remonta os filmes da franquia « Mad Max ». As máquinas estão por toda parte, cada vez mais sofisticadas e imponentes, como o gigantesco robô de mais de 20 metros de altura que arrasa tudo que vê pela frente. John Connor (Christian Bale) em nada se parece com o salvador da humanidade que conhecemos das histórias de Kyle Reese (Michael Biehn) no primeiro filme ou como aquele que Sarah Connor (Linda Hamilton) pretende prepará-lo ser no segundo. Ele é apenas um soldado, que numa primeira missão, junto com sua equipe, descobre os planos das máquinas para um projeto que seria um novo modelo de exterminador: o T-800. Todos são dizimados no que parece uma armadilha da Skynet, e após uma luta arrebatadora com os restos de um T-600, Connor é resgatado. No meio dos escombros do local da armadilha perpetrada pela Skynet contra a equipe da qual John Connor fazia parte, vemos Marcus emergir.

O filme segue então com duas paralelas. Temos a história de Marcus, que caminha em busca da civilização, sem entender o que está acontecendo, e John Connor se tornando o líder de uma operação que pode colocar fim à guerra com a Skynet, mas sempre preocupado em resgatar humanos prisioneiros das máquinas, conflitanto com o comandante geral da resistência, Ashdown (Michael Ironside). Mas é com Marcus que temos as melhores sequências do filme. Num primeiro momento, ele chega a uma apocalíptica Los Angeles, onde confronta o primeiro ciborgue que encontra pela frente. Ele é então salvo por um garoto, que mais tarde se revela ser o ainda jovem e desajeitado Kyle Reese (Anton Yelchin), e uma menina muda, que nada mais são do que o remanescente da base da resistência humana na Cidade dos Anjos. Apesar de se afeiçoar pelos dois, Marcus decide partir, e no meio de um ataque, os três acabam deixando a cidade.

Enquanto isso, vemos que John Connor tem em seu poder as fitas cassetes que sua mãe lhe deixou, e que o ajudam e o orientam para o que está por vir. As gravações, porém, nada revelam sobre seu pai, e ao descobrir que ele e Kyle Reese estão na lista das futuras execuções pela Skynet, entende que este é seu pai, mandado por ele mesmo do futuro para salvar sua mãe no passado. Realmente. Quem não conhece a história original pode acabar se perdendo um pouco, mas verdade seja dita: até quem conhece acaba se confundindo um pouco, como o fato de John não lembrar da infância e do encontro com o T-800 ou com o modelo T-1000 no segundo filme, do que nos faz apenas concluir que não existe ainda a linha temporal como conhecemos, e que os fatos o são a partir do momento em que ocorrem. É mais ou menos o que o personagem Daniel Faraday, de « Lost » teria dito.

Enfim, Marcus, Kyle e Star acabam sendo atacados quando Kyle é reconhecido por uma máquina rastreadora, e os dois últimos são raptados juntamente com vários outros humanos, os quais estão sendo levados para a base de operações da Skynet. Marcus vai ao encalço deles, mas acaba esbarrando em Blair, que o guia pelo deserto até a base da Resistência, alegando que John Connor poderá ajudá-los. Nesse interim, já sabemos que John Connor, embora não seja ainda o líder da resistência, tem muita influência sobre todos. Ele transmite mensagens de apoio para todos os humanos através de uma sintonia de difícil acesso pelas máquinas, e onde quer que seu nome seja mencionado, temos uma reação de profundo respeito. É por conta de uma dessas transmissões que Marcus decide ir ao encontro de Connor, certo de que ele poderá ajuda-lo a resgatar seus novos amigos.

Mas as coisas tomam novo rumo quando Marcus e Blair precisam atravessar um campo minado, e o primeiro acaba pisando numa das minas. Pelas mãos da Dra Kate Connor (Bryce Dallas Howard), esposa de John, descobrimos o que muitos dos fãs da franquia já desconfiavam: Marcus é o primeiro bem-sucedido modelo de infiltração da Skynet, um T-800, que até então os humanos desconheciam. Aprisionado com seu esqueleto de metal parcialmente à mostra, Marcus bate de frente com John Connor, que apesar de surpreso com aquele novo robô, reconhece-o pelas gravações de sua mãe, como uma das máquinas enviadas para matá-los. Mas Marcus se mostra totalmente alheio à esse propósito, e embora veja suas partes metalicas, insiste dizer ser um humano. Trata-se esse de um dos momentos mais emocionantes do filme, na minha opinião. Afinal, vimos do que Marcus é capaz, e sabemos que suas intenções são verdadeiramente sinceras, apesar de terem conferido a ele um passado duvidoso como criminoso.

Blair, entretanto, tem a certeza de que Marcus é bom, e consegue libertá-lo. O ciborgue é caçado, e num momento climax, bate novamente de frente com Connor logo após salvá-lo de uma máquina assassina. Connor decide então confiar nele, e Marcus vai até a Skynet, onde, após localizar Kyle, irá informar Connor, para que proceda com o resgate. Mas a investida da resistência humana contra a Skynet com a nova arma testada e aprovada pelo comando geral não tem o objetivo de salvar os prisioneiros das máquinas, o que deixa Connor num grande impasse. Num ato de desespero, sabendo que salvar a vida de Kyle pode custar o futuro, considerando todas as informações que lhe foram passadas por sua mãe, Connor consegue persuadir todos os seus ouvintes a não atacarem a base de operações da Skynet, independentemente de quaisquer ordens do comando geral, que por fim acaba tendo sua base destruida.

Na Skynet, Marcus tem acesso livre, localiza Kyle e dá a informação a Connor, que também entra na base. Logo depois, Marcus descobre que realmente se trata de uma máquina, e que tudo o que fez até o momento foi se prestar como isca para uma armadilha contra John Connor. Desesperado, Marcus reluta acreditar que seu propósito é exterminar vidas, e remove o chip de sua cabeça. Enquanto isso, Connor liberta vários prisioneiros, e tenta, em vão, localizar Kyle, que está numa cela especial. Num momento mais do que inesperado, temos o T-800 revestido como o humano que tanto nos empolgou nos dois primeiros filmes da cinessérie. Ele mesmo. Arnold Schwarzenegger. Não propriamente em pele e osso, mas com efeitos especiais surpreendentes. O ciborgue emerge de uma das celas, numa cena extraída e melhorada do primeiro filme, e ataca John Connor. Pois esse é o objetivo todo do filme, retornar às origens dos filmes anteriores: exterminar o líder da resistência humana. E nada melhor do que pelas mãos do modelo T-800 original que sua mãe e o próprio personagem encontram nos filmes anteriores.

Temos então uma luta arrebatadora entre Connor e o exterminador. Claro, luta entre aspas, pois Connor mais precisa se esconder do exterminador do que confronta-lo. Afinal, bater de frente com um T-800 não é para qualquer um, aliás, só para outro robô. No meio de toda essa confusão, Connor encontra Kyle, e o salva. Os efeitos especiais das cenas seguintes, registre-se, são sensacionais, principalmente no que se refere ao vislumbre do Governador do Estado da California mais uma vez na pele do ciborgue assassino, o que, infelizmente não dura muito, já que Connor o incendeia, e o esqueleto de metal faz todo o resto das sequências. Quando o combate fica cada vez mais complicado, inclusive com direito a referência à uma das « tentativas » de destruição do modelo T-1000 em « Terminator 2: Judgement Day », Marcus aparece para salvar o dia, e temos uma luta verdadeiramente justa entre os dois exterminadores, algo que até nos faz lembrar dos bons momentos na série de TV inspirada na franquia, « Terminator: The Sarah Connor Chronicles ». Aliás, elementos da série no filme e vice-versa são nítidos.

Connor é fatalmente atingido no tórax, e depois de destruir o exterminador assassino, Marcus consegue removê-lo do local. Todos os humanos são resgatados, e a base de operações da Skynet é destruída. Na base da resistência, Connor está em seu leito de morte por conta do ferimento, e Marcus sede o coração humano que bate dentro de sua estrutura metálica para salvá-lo, compreendendo a importância de John Connor para a resistência.

Bom, por óbvio que o filme se passa muito antes dos eventos narrados nos dois primeiros filmes de James Cameron. Não temos qualquer menção a viagens no tempo, e Connor é muito diferente do prometido na história original. Mas « Terminator Salvation » nos traz com muita abnegação o que poderia ser considerada a origem de tudo. Afinal, temos o primeiro modelo de infiltração T-800; a primeira referência de que um ciborgue pode aprender com os humanos, o que provavelmente motiva Connor a reprogramar um deles no segundo filme; a evolução do próprio Connor como líder da resistência; os elementos que tornam o personagem John Connor tão especial para a resistência e modelo para os humanos sobreviventes; e não menos importante, os primeiros eventos para que ele finalmente tome a decisão de enviar Kyle (obviamente depois de muito tempo) para o passado para salvar sua mãe, Sarah Connor, e termos assim os eventos de « The Terminator » (1984). Não temos explicações em pormenores da evolução da Skynet, pois esse é um detalhe que merece permanecer em « Terminator: Judgement Day », e também temos algumas incoerências, como quaisquer referências a « Terminator: Rise of the Machines », mas o filme cumpriu excepcionalmente bem sua função.

Provavelmente teremos mais uma série de filmes do exterminador, espera-se, e com ou sem Schwarzenegger na pele do ciborgue assassino, com certeza teremos muito com o que nos deleitar com a história do agora heróico líder da resistência humana, John Connor, no futuro. Podemos até mesmo chegar a ver o momento em que Kyle Reese, então um soldado e estrategista de muito valor, será enviado ao passado. As circunstâncias em que tal evento se dará, e talvez até mesmo momentos outros que nos tragam mais pormenores das histórias contadas nos filmes anteriores. Claro, sempre com muita referência, como as que tivemos com « Terminator Salvation »,. Afinal, quem não delirou ao escutar as gravações da Sarah Connor para seu filho; ou rever as nuances da história original que profetiza John Connor como o salvador da humanidade; ou rever Schwarzenegger como exterminador numa cena descaracadamente – e isso não significa que não foi bom demais – extraída dos primeiros filmes; ou mesmo escutar « You Could be Mine » dos « Guns N’Roses »; e conferir sequências de ação que em muito nos remonta aos dois primeiros filmes, como a perseguição das motomáquinas? Enfim, se o objetivo era honrar os filmes de Cameron e recomeçar a franquia de um novo ponto de partida, « Terminator Salvation » efetivamente cumpriu seu papel!

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